Olho para os morros e não vejo os pássaros. Não tem árvores, não tem animaizinhos, não tem flores... Nem casas bonitas com jardins. Talvez ratos, porque os gatos foram comidos e ou transformados em tamborins... Têm baratas, moscas, mosquitos...
Dignidade?
Será?
É inteligente enfear um ambiente só pelo prazer de ter uma visão bonita observado do meio dessa feiúra invasora?
Será que o Cristo, tão bonito, sente prazer olhando para os morros enfeados, infectados por criaturas estranhas ao meio ambiente, cheios de barracos e ou de casas malfeitas, instaladas como trepadeiras, e tomados por invasores humanos inconseqüentes, que desmatam, matam, cavoucam, explodem foguetes e dão tiros ao léu?
E ai?..
O Rio de Janeiro não se parece com a República da Somália porque em nossos desertos existem os barracos ou casas feias, malfeitas, trepadas sobre as outras...
192 milhões de brasileiros. Em número de habitantes somos a metade dos EUA e já tomamos quase todos os morros das cidades, expulsamos a natureza (as árvores, flores e frutos) e entregamos a feiúra dos barracos trepadores; substituímos a fauna natural por ratos, baratas, moscas, mosquitos...
Pessoas bonitas e inteligentes? Sei não.
Tenho invejas das cidades que preservam largas avenidas; morros arborizados, mesmo que habitados; costa marítima sem vazamento de óleo; sem borras de piches chegando às praias...
Estão vendendo ao caos a natureza, a vida marinha, a beleza de se olhar... Tudo por míseros royalties...
Vale a pena?...
Até quando a lindeza (beleza delicada; Perfeição; graça, primor...) d’essa cidade agüentará aos monstros do próprio lugar?
Sei, não.
Quero morrer antes que o Cristo seja tomado por insetos; antes que às praias cheguem os milhões de barris de óleo, líquido, ralo, grosso e ou em forma de piche...
Os morros cheios de feiúras já me entristecem...
Tadinho do Rio!
Tadinho de nós?
Tadinha de mim!
Quase uma Somália?
Quem sabe?
Dependendo de onde e como se olhe.
Margarida.
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